ESPLANAR

JOÃO PEDRO GEORGE
esplanar@hotmail.com

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

 

Fernando Venâncio: «Cantavas? Pois dança agora» (parte II)

Por defeito profissional, habituei-me a ler mais atentamente a secção de crítica literária do suplemento Actual (antigo Cartaz) do semanário Expresso. E notei sem esforço, divertidíssimo, aquilo que muita gente minimamente conhecedora já sabia: o meio literário português é pequenino, miudinho, feito de capelinhas e igrejinhas onde tudo fica em família e entre amigos. Será falta de pudor? Será ausência de espírito crítico? Ou será mera fatalidade sociológica?

Fernando Venâncio e Ernesto Rodrigues: o comunismo do elogio

O melhor deixei para o fim. É um caso de arrepiar os cabelos e torcer as orelhas. É um libreto de ópera cómica. “Fernando Venâncio, professor em Amesterdão” (ele cumprimenta assim, enquanto estende o bacalhau), declarava resolutamente, em 1992, na crónica “Lobbies e Moralidade”: “tornou-se geral a fama sectária da sua redacção literária” [leia-se do Expresso], chegava mesmo a falar de “clãs” e de “grupinhos”. Assim mesmo, pão pão, queijo queijo. Era de leão! Todavia, desengane-se o leitor. Não passavam de tiros de pólvora seca. Esperteza saloia. Alguns anos decorridos, o suficiente para Fernando Venâncio dar um golpe de rins e algumas cambalhotas, aconteceu o insólito: o professor, imperturbável, no maior dos descaros, sorreitaramente, ingressou no dito suplemento e, como em Roma, sê romano… Números, por ordem cronológica: Fernando Venâncio, tremendo de admiração, elogia Mágico Folhetim Brilhante de Ernesto Rodrigues (17 de Julho de 1999); Carlos Reis é convidado a escrever sobre Os Esquemas de Fradique, de Venâncio (11 de Dezembro de 1999); Venâncio, por sua vez, volta a coroar o sorridente Ernesto Rodrigues – Verso e Prosa de Novecentos – levando-o sobre os ombros (24 de Março de 2001). Penhorado reconhecido agradecido, com o coração nas mãos, Ernesto Rodrigues não foi de modas, vai de escrever três artigos sobre o amigo Venâncio: 2 de Junho de 2001, 14 de Setembro de 2002, 26 de Outubro de 2002. É o toma lá, dá cá do elogio.
Resumindo e baralhando, tudo bons rapazes e a falarem uns dos outros. É preciso ter pachorra!

(excerto de um texto publicado na revista Periférica, nº 9)



<< Home


--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Arquivo

Julho 2004   Agosto 2004   Setembro 2004   Outubro 2004   Novembro 2004   Dezembro 2004   Janeiro 2005   Fevereiro 2005   Março 2005   Abril 2005   Maio 2005   Setembro 2005   Outubro 2005   Novembro 2005   Dezembro 2005   Janeiro 2006   Fevereiro 2006   Março 2006   Abril 2006   Maio 2006   Junho 2006   Julho 2006   Agosto 2006   Setembro 2006   Outubro 2006   Novembro 2006   Dezembro 2006   Janeiro 2007   Fevereiro 2007   Março 2007  

Outros Blogues

Abrupto
Alice Geirinhas
Álvaro Cunhal (Biografia)
AspirinaB
Babugem
Blasfémia (A)
Bombyx-Mori
Casmurro
Os Canhões de Navarone
Diogo Freitas da Costa
Da Literatura
Espectro (O)
Espuma dos Dias (A)
Estado Civil
Fuga para a Vitória
Garedelest
Homem-a-Dias
Estudos Sobre o Comunismo
Glória Fácil...
Memória Inventada (A)
Meu Inferno Privado
Morel, A Invenção de
Não Sei Brincar
Origem das Espécies
Portugal dos Pequeninos
Periférica
Prazeres Minúsculos
Quarta República
Rui Tavares
Saudades de Antero
Vidro Duplo











Powered by Blogger

This page is powered by Blogger. Isn't yours?