ESPLANAR

JOÃO PEDRO GEORGE
esplanar@hotmail.com

quinta-feira, março 31, 2005

 

Um pais para Jessica Rabbit

Nota: Espero que a Casa da Imprensa ande atenta a estas crónicas e eleja, de pronto, este título como o mais insólito da década. Melhor, só me consigo lembrar de: “O Homem Que Matou Luís Pereira de Sousa”.
Jessica Rabbit. Porquê? Certamente, todos se recordam desse filme sem género, “one of a kind”, que foi Who Framed Roger Rabbit?, de Robert Zemeckis, nos idos de 88. E todos se lembrarão melhor ainda da personagem de Jessica, esposa do coelho, mas com morfologia de mulher humana - coisa tão colossal e anterior à era das bonecas virtuais que põe a um canto, num piscar de olhos, Lara Croft. Havia uma cena fenomenal em que ela, perante a incredulidade de Bob Hoskins (“Mas, afinal, o que vê você nele?”) e meneando o corpo voluptuoso, dizia, pela voz ultra-sexy de Kathleen Turner, esta frase muito simples: “He makes me laugh.” Ele faz-me rir.
Parecendo que não, a cena revolucionou o mundo: a partir daí, da candidata a Miss Universo à d. Deolinda de Mangualde-o-Novo, todas as mulheres, quando questionadas sobre o que mais as atrai num homem, passaram a responder assim: “O sentido de humor”.
Portugal inteiro deveria pôr os olhos nisto. Continuamos a mexer em tudo com pinças, como se o quotidiano fosse um dogma, sacralizando e desporcionando a importância das coisas. Enquanto cá não se pode tocar no assunto Casa Pia, por exemplo, os “late nights shows” americanos fazem verdadeiras maratonas de piadas sobre o caso Michael Jackson. Fazem bem. Expurgam os medos. Matam os fantasmas. Seguem em frente. Nós não. Ficamos aqui deprimidos como uma personagem de Kafka, como se carregássemos todos um novo pecado original que não cometemos. E não queremos nada com a vida.
Portugal deve querer agradar a Jessica Rabbit. Ou, então, acaba um parolo solitario que bebe copos no balcão do Xico, nas noites em que não haja bola.
Alexandre



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