ESPLANAR

JOÃO PEDRO GEORGE
esplanar@hotmail.com

terça-feira, janeiro 04, 2005

 

A inesquecível socióloga

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Para aqueles, como eu, que começaram a frequentar o curso de sociologia há mais de dez anos, não pode deixar de causar estranheza o facto de verem nos jornais mensagens de relax que anunciam «inesquecíveis» universitárias e sociólogas. Na primeira metade da década de noventa, existiam basicamente dois tipos de estudantes de sociologia: as urbanas, pós-materialistas, que consumiam ciclos de cinema iraniano no King, e as suburbanas, materialistas, que, simplesmente, queriam casar e «entrar para o quadro». Todas achavam o Abrunhosa «montes de impecável». Nenhuma era propriamente «inesquecível».
Razões profissionais levaram-me a prolongar a minha presença na universidade muito para além do desejável. Os que foram à sua vidinha terão dificuldade em acreditar no que vou dizer. Neste momento, aquela célebre tanga tornou-se verdadeira: já não há miúdas feias (se não acreditam, comprem bilhete para o próximo festival do sudoeste). Não sei se são os efeitos da integração europeia, dos ginásios, dos iogurtes, mas a verdade é que o curso de sociologia está agora cheio de modelos e actrizes de novelas. O caso mais notório, embora não necessariamente o mais interessante, é o da ainda estudante Carla Matadinho – a Miss Playboy portuguesa. Ao contrário do que se passa com a maioria dos sociólogos da minha geração, a Carla é convidada para tudo o que é festa. O seu réveillon foi passado ao som de Woody Allen, no Casino do Estoril. E, como relata o insuspeito Público, Miss Carla «era uma das mais solicitadas» da festa. «Carla esperava ouvir música fantástica de um género que é para se ouvir ao vivo». A jovem universitária confessou ao Público que o facto de Woody Allen ser a estrela convidada «teve algum peso», apesar de «nunca ter visto nenhum dos seus filmes» (conhece-o «apenas de comentar», e gostar de «comentar» é fundamental numa socióloga). De resto, Carla admite que «não costuma estar muito atenta aos filmes que saem» (uma confissão impensável para a geração anterior, que só vem corroborar a minha tese). Decididamente, confirmou-se a sábia previsão de um colega de curso: «no dia em que a média de entrada baixar, o interesse disto aumenta». Filipe



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