ESPLANAR

JOÃO PEDRO GEORGE
esplanar@hotmail.com

sábado, setembro 25, 2004

 

Vamos jogar a uma coisa (XV)

Uma outra coisa que em absoluto não havia previsto foram as reacções. Pensava que o meu texto faria sorrir, porventura com uma certa ternura, mas em vez disso provocou um pequeno escândalo. Foi a polémica do Verão. Havia os a favor e os contra. Philippe Sollers declarou estar chocado pelo facto de um jornal sério com o qual ele colabora publicasse semelhante absurdo; Frédéric Beigbeder ficou extasiado, sugerindo um prodígio literário; quanto ao «Le Monde», tendo em vista o elevado número de missivas indignadas, um dos seus dois editores, em nome da redacção, apresentou desculpas aos leitores. Assim fazendo, esqueceu uma lei fundamental do jornalismo, que para além do mais não admite excepções: quando o leitor gosta de um texto, escreve ao autor; quando não gosta, escreve ao chefe de redacção. Eu tinha deixado o meu endereço de correio electrónico: a meu ver, o editor poderia ter-me telefonado para ter uma ideia das cartas que então recebia.
Porque, na verdade, o correio electrónico, nos dias e nas semanas seguintes, ameaçou explodir. E dos milhares de e-mails que recebi – concedo que as minhas estatísticas serão um pouco sumárias – mas direi que nove em cada dez eram extremamente calorosos. A maior parte, como já disse, colocava as duas perguntas às quais já respondi, ainda que de modo incompleto. Depois, obviamente, haviam as propostas para encontros, e propostas de uma continuação para o conto, mais ou menos inspiradas. Muitas mulheres leram o conto ao homem que amavam, e alguns homens à mulher que amavam. Muitas disseram, também, que gostariam muitíssimo de ter recebido um presente assim, e serem a rapariga por quem alguém esperava no cais da estação de La Rochelle.
Rui




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