ESPLANAR

JOÃO PEDRO GEORGE
esplanar@hotmail.com

sábado, setembro 04, 2004

 

A suave arrogância do português

O português, que dançou centenas de "slows" ao som de música brasileira e que consumiu séculos de novelas, nunca respeitou a maneira como os brasileiros falam e escrevem. O português (aquele que já leu três livros e que se acha um indivíduo "actualizado") ainda está convicto de que o brasileiro falado e escrito é uma corruptela do português – desse “correcto” e “bem escrito” português. Devo confessar a minha irritação perante mais esta suave arrogância. Porque essa petulância de café também contaminou algumas das denominadas elites culturais e impediu-nos de, durante anos, conhecer as letras brasileiras contemporâneas. Concordo, pois, com o elogio que o Ivan fez ao Gávea. E lembro que o Manuel Jorge Marmelo já vem, há algum tempo, a fazer esse necessário trabalho de divulgação do Brasil literário (Patrícia Melo, por exemplo). O Brasil nunca renegou um género tão pateticamente menorizado em Portugal – o conto. O livro “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século” contém alguma da melhor literatura que tenho lido nos últimos anos. Ensinou-me muito mais sobre o estilo e o manejo da língua do que a maior parte da literatura portuguesa recente. E é melhor ficar por aqui. Em matéria de jornalismo e de cronistas (sim, de estilistas e estetas; não de colunistas - esses enxameiam o jornalismo português), nem vale a pena tentar a comparação. Nuno



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