ESPLANAR

JOÃO PEDRO GEORGE
esplanar@hotmail.com

quinta-feira, agosto 31, 2006

 

Até Dezembro

As inscrições fecharam e só saiu Deivid (fiquei a saber que um dos seus apelidos é Hulk, o que ultrapassa a imaginação...). Pior não devemos ter ficado, e pelo menos uns milhões de euros temos, para gastar em Dezembro. Não conto um um guarda-redes fiável, claro. Mas até lá deve sentir-se bastante a falta de um trinco de raiz (que Custódio nunca foi) e em forma (que Paredes não voltará a conhecer) e de um central duro (o nigeriano que os russos ainda não nos pagaram foi dispensado, mas não voltou para cá...). Pode ser que então, a tempo da UEFA, se acerte o que já é evidente. Mas espero enganar-me e que a Champions corra bem...
CL
PS - Douala é bom jogador e combina melhor que Liedson do que Bueno, sendo ainda mais experiente que Djaló. É bom que não saia por tuta-e-meia.

 

Três notas para um amigo do povo


1) Não vejo o interesse em adoptar aqui o sentido Inglês (a ser esse) do termo revisionismo. Este encontra-se perfeitamente definido, quer no debate público, quer no debate especializado em Português, tem matizes de Esquerda e de Direita (e na questão do fascismo, sobre a qual Bruno Cardoso Reis parece ter ficado sem vontade procurar respostas a perguntas, há revisionismo de ambos os lados) e distingue-se do negacionismo que, na tradição alemã, nega o holocausto e, mais recentemente, na tradição anti-Ocidental, nega o 11 de Setembro. Por aqui, não tenho nada a acrescentar ou a retirar ao que já escrevi, rever a história é próprio da historiografia, dizê-lo seria redundante, revisionismo é (para toda a gente) outra coisa.
2) Eu não disse (se disse foi por lapso e corrigi-lo-ei se me indicarem onde o fiz) que rever o passado, como nas «análises» (sim, entre aspas) que deram origem a esta discussão (sobre as «análises», o Daniel Melo já explicou quais são, para que o BCR não se perca), é ilegítimo. Digo que são leituras tendenciosas e que se apresentam como se fossem muito originais e corajosas (contra um politicamente correcto inexistente entre nós, ao contrário do mundo de língua inglesa) quando, na realidade, são velhas e constituem uma versão académica mas pouco científica (pouco objectiva e pouco rigorosa) do desejo do Zé-povinho «haja quem mande!», que tão bons resultados nos tem dado.
3) Mas quero terminar esta discussão (suponho que tenha chegado ao seu termo) agradecendo a oportunidade de postar a imagem aqui ao lado, que descobri por uma pista do Fernando Venâncio, aqui. Ainda me estou a rir.
CLPosted by Picasa

quarta-feira, agosto 30, 2006

 

A seguir

Num post scriptum à sua coluna no Público de hoje, Manuel Queiró comenta uma notícia recente que passou quase despercebida. A descoberta de uma técnica de desenvolvimento de células estaminais a partir de fetos humanos que não precisa de os destruir. Claro, a descoberta ainda está a anos de aplicações práticas, tal como, aliás, os benefícios médicos da técnica. Mas o ponto de Queiró é fazer ver como foi «decisivo» ter proibido a utilização dos fetos para se chegar a esta descoberta. As forças do progresso seriam, afinal, as conservadoras. A falácia está em, na nova técnica, os fetos serem usados na mesma - e por isso memso o Vaticano já anunciou (com toda a sua lógica, conservadora) que ainda se trata de uma forma de usar o ser humano como um meio, pelo que as questões éticas permanecem por resolver. Nada disso incomoda Queiró, que ilustra bem qual a função das associações «laicas» nos debates públicos: defendem o mais conservador da Igreja para esta poder até parecer progressista, mantendo sempre os mesmos argumentos. Fica a nota, à atenção dos interessados no próximo referendo.
CL

terça-feira, agosto 29, 2006

 

A unidade (do plano) da Ciência

Parece que Plutão, além de não ser planeta, impede que vários outros o sejam. Segundo o Público de hoje, entre os vários outros conta-se a Terra. Isso sim, seria uma manchete sensacional: «Não vivemos num planeta!»... Há mesmo um abaixo-assnado a circular de cientistas indignados com as irregularidades na votação que despromoveu Plutão, que dizem tratar-se de um processo irregular, sem critérios científicos aceitáveis. A falta que Heidegger fará, se os cientistas não se puserem de acordo - e mais ainda se despromoverem mesmo a Terra.
Para quem se lamenta sobre a nossa Liga da bola e os seus ignorantes dirigentes, deve ser triste ver como os paralelos são nítidos. Até se trata tudo de corpos esféricos. Mas a ciência não se faz sem controvérsia, seja a jurídica seja a astroplanetária.
CL

segunda-feira, agosto 28, 2006

 

Wake up and smell the Koffi

De volta a um post de Sábado («Koffi must go»), agora que parece consensual a participação portuguesa na nova missão da ONU no Líbano.
Por norma, a participação de forças militares e/ou policiais portuguesas em missões internacionais é inteligente. Necessitamos pertencer à Nato para assegurar a protecção militar para a qual não temos orçamento, e estas missões, levadas a cabo por profissionais que se oferecem para elas, representam um custo aceitável para justificar a nossa pertença à Nato e afins. Mas o custo não é tudo, e a nova missão parece tão mal concebida como a anterior. Além do risco para as vidas dos envolvidos, maior do que parece aceitável, a própria opção política fica diminuída pelo carácter informe de todo o processo, em que (como ficou registado no post de Sábado) o próprio secretário-geral da ONU enfraquece a posição militar e legal das forças a enviar. Se é para uma missão de paz de opereta que vamos, mais vale ficarmos na Bósnia.
E quem quiser fazer um abaixo-assinado neste sentido pode contar com a minha assinatura. Desde que não invoque a defesa dos regimes da Síria e do Irão nem a saída de Portugal da Nato e da EU, claro…
CL

domingo, agosto 27, 2006

 

Mónica, seguido de alívio

Na sua habitual crónica no Público, Maria Filomena Mónica refere-se à entrevista que dei a Pedro Mexia (DN de 11 de Agosto). Primeiro temi, ao reparar que tinha percebido a minha referência crítica ao livro do meu antigo (e grande) professor José Gil, Portugal, hoje. Mas depois respirei de alívio. Afinal, não havia nada novo na prosa.
Filomena Mónica afirma que essa referência crítica não me impediu de concluir no mesmo sentido de José Gil (p. 71, 1ª coluna); essa conclusão está errada porque ela não tem medo de existir (2ª coluna); e que ao contrário desta abordagem psicologizante, só com a história o debate sobre as características nacionais não será uma «imbecilidade» (3ª coluna). Sobre estas três afirmações, três comentários.
1) Nem José Gil, nem Eduardo Lourenço (que também cito), nem eu precisamos de qualificar as afirmações de Mónica como imbecis, logo não discutirei nesses termos as de Gil (é das teses dele que se trata, apesar de Mónica as imaginar «post-modernistas»).
2) Apesar de formada em Filosofia, Maria Filomena Mónica parece ignorar Lógica. É possível falar do medo de existir apesar de haver portugueses sem esse medo (em proporções grandes, pelo menos). Aliás foi por não o ter em excesso que Gil escreveu. Mas Filomena Mónica também deve pensar que, por não gostar de futebol, não se pode dizer que os portugueses gostam de bola. Não é falta de lógica, é falta daquilo que um autor francês disse ser o que está mais bem distribuído no mundo (bem sei, o autor era francês…).
3) Quanto ao que eu disse: eu não concluo o mesmo que José Gil. Referi-o, em resposta ao Pedro Mexia, e referi-o para o contrariar. É que, tal como Filomena Mónica, penso que a tese de Gil não colhe, precisamente por, ao contrário do que ela conclui, o medo não ser «eterno». Isso está claro no livro que originou a entrevista e na entrevista fica também claro. Primeiro, digo que o medo foi objecto de análise (que Gil ignora) por críticos («pessoas singularmente destemidas»). Depois, as tais críticas à tese de Gil («ignora as ciências sociais» – não apenas a História, portanto -, «ponto de vista inteiramente abstracto»). E concluo: a europeização provocou «muitas mudanças».
Se me dou a este esclarecimento, é por ter ficado espantado. Não com o trauliteirismo da autora, já conhecido. Não com a falta de lógica, comprovada. Nem sequer com a incapacidade de ler a entrevista (por favor, não leia o livro!). Não, espantou-me uma coisa positiva: Mónica disse o nome de quem falava, o que é muito invulgar em Portugal. E isso é valioso justamente por exibir o fim do medo, e exemplificar (pobremente, de facto) as razões que me levam a não aderir à tese de Gil, demasiado vaga, e à tese de Mónica segundo a qual (cf. fim da crónica) «tal como sucede no caso de uma pessoa a memória de uma nação é a base da sua identidade». Aqui podia falar-lhe dos erros do construtivismo (Hayek), mas no fundo bastava ler Eduardo Lourenço (tal como sugiro na entrevista, aliás). Adiante.
Agora que já tenho o alívio deste insulto espero pelos seguintes. Mais explicações no final da entrevista ao DN...
CL
PS – Também no Público de hoje (p. 9), surge o post de ontem de Rui Bebiano, no A Terceira Noite, que aqui destaquei. Sem indicação do blog, espero que com o acordo do autor. Suspeito que o Público não quererá fazer o mesmo com este post, o director tem já currículo em silenciar o que desagrade à colaboradora (dizem «fontes da redacção do jornal», para usar uma fórmula agora bem quente). Caso para dizer que esta gosta de debates mas o jornal onde colabora nem por isso. E por isso mesmo fica aqui no Esplanar, onde João Pedro George já escreveu o bastante sobre Filomena Mónica.

sábado, agosto 26, 2006

 

Koffi must go

O secretário geral da ONU acaba de declarar que o desarmamento do «partido de Deus» não pode ser feito pela força. Isto significa apenas uma coisa: o Direito Internacional, que tanto excita os que odeiam a política, é uma ficção (como qualquer estudante de Direito sabe). Quem é suposto fazer algo por ele demite-se e, com isso, comprova que o problema no Líbano não é Israel, mas sim a situação interna. Isto não é substancialmente diferente da decisão de França e Rússia no Conselho de Segurança quando combinaram que, em qualquer situação, o Iraque não poderia sofrer todas as sanções previstas se não cumprisse com a sua obrigação de dar conta do que sucedera às ADM. O resultado é o que sabemos, felizmente os EUA e as suas costas largas dão para encobrir muito... Mas a Síria já diz que não quer a ONU na sua fronteira com o Líbano, enquanto o Irão lá vai para o nuclear, claro.
CL

 

magazine

O post do dia está, de novo, aqui.
Para quem não quiser ler muito, pode ouvir a música deste senhor, America's finest...
CL
Ps - E cá fico à espera, então, de saber quais os outros males dos blogs antes de voltar ao tema.

sexta-feira, agosto 25, 2006

 

Imprensa

O João Villalobos escreve no Corta-Fitas que o Expresso vai perder 30% da sua mancha de texto, e diz sobre isso o essencial. Tomo por boa a fonte e tomo a notícia também por sinal da dificuldade em encher com texto esse espaço, depois de anos e anos de abandono dos melhores jornalistas e colaboradores. De qualquer modo, é sinal de maior «integração» do Expresso no grupo (na SIC), como o cabeçalho do jornal bem indica. Mais um passo na tendência para o texto se subordinar à imagem...
CL
PS - Ainda sobre jornais: depois de uma semana a anunciar a revista extra sobre a Superliga, o Público de hoje não a traz. Pelo menos o exemplar que comprei não tinha e no quiosque disseram não a ter recebido. De novo, acredito. Não é a primeira vez e não será a última.

quinta-feira, agosto 24, 2006

 

A sorte do costume...

As equipas dificilmente podiam ser piores e até a ordem dos jogos é má. Se o Sporting não conseguir, nem jogadores nem técnicos são de culpar, e até lá é torcer pelo melhor. Mas não foi um sorteio, foi um desastre.
CL

 

Entre blogs

Em comentário à primeira parte de um post de Sérgio Lavos, no Auto-Retrato, este conjunto de notas sobre a recepção dos blogs e suas recíprocas influências não é um conjunto fechado. Desde logo, aguarda a anunciada continuação da «reflexão» (termo preferido por SL a «discurso crítico»). Daí terminar com uma pergunta.
1) Quando, no Suplemento 6ª (DN de 18 de Agosto), disse a Pedro Mexia que os blogs são hoje veículo privilegiado para a crítica referia-me ao discurso crítico (visão da sociedade moderna) e não à crítica especializada (de discos, livros, etc.), que predomina nos jornais. Espero que no contexto isso tenha ficado claro. Daí ter também salientado, provocado amigavelmente pelo Pedro Mexia, que a liberdade permitida nos blogs, a de edição, é decisiva. Mais do que o espaço concedido ou o seu destaque num conjunto de outros assuntos, como numa publicação tradicional, a escolha de algo e sua análise ou comentário – desde que crítico, não acrítico – proporcionada pelo blog permite uma liberdade que de outro modo o crítico, dentro de uma instituição maior, não teria. Mesmo se para isso tem de fazer outros sacrifícios (rendimentos, acesso ao grande público, visibilidade nos media tradicionais vocacionados para este…).
2) Por isto, diferencio entre blogs que reproduzem o que se faz na comunicação social tradicional, a maioria, e aqueles que fazem, ou querem fazer, diferente. Chamarmos a essa diferença uma opção pela crítica ou uma opção pela reflexão, parece-me igual. Já depois do seu post «o mal dos blogs (1)», SL aceita coisas que eu não aceito (ver «O crítico responde») mas não será isso que nos irá separar para já. É quando, ao escrever sobre os males dos blogs, SL fala em gerações, que, tal como sucedeu na entrevista do DN, eu me permito objectar. Não vejo novas gerações a surgir, muito menos organizadamente, mas aprecio o facto de SL dizer os nomes em que pensa em vez de usar as fórmulas gastas de sempre («certas pessoas», «alguns», etc.). Os nomes que escreve, num elenco com o qual concordo genericamente, exemplificam mesmo o meu ponto: uma nova geração (de 70 ou outra) não é forçosamente uma geração com novidades instantâneas.
3) Tanto quanto vi, o sucesso público dos blogs fez-se pela reprodução da visibilidade dos seus autores num novo formato de distribuição. Assim, não espanta que os blogs mais visitados sejam os de Pacheco Pereira e Francisco José Viegas (e daí os ataques que sofreram recentemente, tentativas de parasitagem), nem a simulação de um blog do MEC. Mesmo articulistas menos evidenciados, como eu, o Pedro Mexia ou o João Pedro George, já tinham anos de escrita antes de adicionarem (não foi troca, abandonando o resto) aos seus meios o blog.
4) O novo formato gerou novidade? Alguma, sim, sobretudo no estilo desenvolto (enfim, uma «referência»!). Mas mais do que isso recuperou o marialvismo, o caceteirismo e outros vícios ainda piores que referi na entrevista. Casos? A disputa entre Blog de Esquerda e Coluna Infame (e o fim desta) ou o blog «muitomentiroso», para dar apenas dois. Hoje nada disso desapareceu, mas o entusiasmo diminuiu e sobressaem os que querem fazer diferente. Quem me chamou a atenção para isto foi o JPG, ao convidar a juntar-me ao Esplanar.
5) A moda passou um pouco. Ficou quem já escrevia, com maior visibilidade nos sítios onde já escrevia. Mas se virmos bem, o que se escreve num jornal e num blog pouco varia, o formato não é decisivo nos conteúdos, mais será na gestão de imagem. Veja-se a reprodução dos textos de jornal nos blogs, com um pequeno atraso. Por agora, aliás, parece-me que quem surgiu no espaço público apenas e só nos blogs quase não surgiu. Há excepções, admito, mas não me parece que alterem muito o que descrevo. Isto também está ligado ao problema da criação de púbicos, sobre o qual também já escrevi um pouco, e que reproduz em parte o problema que as TV’s interactivas experimentaram: o público, ao contrário dos autores, não quer editar. Quer participar como num clube, mandando bocas nas caixas de comentários ou enviando a sua pequena contribuição para o blogger, que depois coloca on-line. Muita da relação entre bloggers passa também um pouco por aqui, há fenómenos quase de vassalagem ou quase de sociedade de elogio mútuo, mais (parece-me) do que de troca aberta e confiante de pontos de vista (como o Esplanar deve a sua visibilidade muito mais ao JPG do que a mim, sinto-me ainda um pendura desajeitado quando tenho de lidar com esses fenómenos aqui, hesito bastante no protocolo). Isto não espanta tendo em conta o papel que o medo desempenha nas relações sociais de uma sociedade com baixa confiança institucional como é a portuguesa. E os blogs não podem mudar isso de repente, nem por si sós.
6) Quando surgir a próxima moda (presumo que venha a ser o videolog), lá encontraremos as estrelas da TV e os craques da bola misturados com recém-chegados e opinion makers, enquanto não se procede a nova selecção. Só nessa altura, suponho, será possível começar a ver os blogs como um processo já estável para análise. Ela já é possível agora, mas sempre sob pena de interferir na experiência que se quer acompanhar. Nunca deixará de ser assim, em parte, mas por enquanto parece ser assim quase em tudo. Com a agravante de tais tentativas revelarem apenas uma vontade de influenciar um pouco excessiva (a autocrítica faz o crítico, já o escrevi no século XX…).
7) Enquanto tudo isso não acontece, uma observação ao que Sérgio Lavos diz a meu respeito. Concordando com o que escreve sobre a autonomia que a nossa (presumo que seja a dele) faixa etária adquiriu nos blogs, penso que também no meu caso o facto de escrever há 11 anos (comecei em 95, entrei neste blog em 2006) é o aspecto decisivo. Mesmo que aqui tenha uma legibilidade que não tinha nem no Expresso (o que acredito, por não confundir legibilidade com visibilidade, em função do que escrevi acima sobre liberdade de edição), o facto é que o meu trabalho não é este, e não apenas por falta de anunciantes aqui (aspecto a resolver, esperamos). É por não ser possível fazer o que me interessa num blog, mas apenas em livros; o caso que SL refere, de Luís Carmelo, é muito frequente entre quem escreve nos blogs, a questão em cada caso está em ver se chega ou não a haver trabalho mais duradouro do que este. Para o blog reservo aquilo que é ocasional, descomprometido, menor. Local de exercício de crítica, ou reflexão, sim; mas sem pensar que será nesse local que se vão gerar diferenças de maior. Podem ser aqui ensaiadas, mas, a terem futuro, tê-lo-ão noutro sítio, de outra forma. Falo apenas por mim, bem entendido.
8) Como isto já vai longo, fica a pergunta. Quando SL observa que, num sentido, eu, JPG, Rui Tavares, e eu acrescentaria o próprio Sérgio Lavos, estão mais em público por causa nDos blogs e, «noutro sentido», está Pedro Mexia, e outros, calculo que se refira a um corte Esquerda/Direita. Será? Não me incomoda a diferenciação, embora não seja, como já disse, a que eu mais valorizo. Mas fico à espera de saber melhor antes de continuar.
CL

quarta-feira, agosto 23, 2006

 

Ciência viva

Está decidido, Plutão foi desclassificado. Há vários outros melhor qualificados do que ele para ter esse estatuto e não o conseguem, por isso...
Mas a nota de destaque é a admissão pública de não se saber bem o que é um planeta. Para quem gostar de falar de «os cientistas» como uns seres de bata branca e rigor infalível, desdenhando as ciências sociais como «moles», deve ser triste. Mas para a ciência é só mais um dia de trabalho. E ainda bem.
CL

 

Dar música

Entre os vários sites de música que vale a pena visitar, este não é actualizado muitas vezes, mas merece atenção.
CL

terça-feira, agosto 22, 2006

 

Rescaldo a quente

Já fui acusado em vários sítios (aqui, aqui e aqui, por exemplo) de ser demasiado pessimista quanto às chances do Sporting. Não mudei de ideias desde a última vez que escrevi sobre o caso, acho que com a reviravolta tardia no Porto essas chances melhoraram. Mas só a nível interno, um campeonato pequeno. Optimista, nem com árbitros como o de ontem mudo de ideias.
Como ontem se viu, com a equipa demasiado defensiva da primeira parte, Paulo Bento parece ser um treinador bom para equipas pequenas: cria espírito de grupo, jogo colectivo, equipas atacantes. Mas quando apanha com estrelas do outro lado, encolhe-se. Repito: na Liga dos Campeões, aquela defesa (Ricardo e Polga em particular) é um acidente em cadeia à espera de acontecer, como ontem se viu. O meio campo não filtra melhor com Paredes e Custódio juntos, só ataca pior. E no ataque, Bueno e Deivid são nulos e Liedson demasiado leve. Faltam um trinco e um avançado centro com peso. E os miúdos ainda precisam de crescer muito. Talvez se cairmos na UEFA em Dezembro façamos boa época...
E já agora: aquilo foi o jogo de apresentação do Inter, que apresentou todos os jogadores. Do Sporting... a sensação Dajló não entrou, o renovado Douala ficou a ver Bueno e Deivid, Farnerud marcou em Espanha mas o lentíssimo Paredes é que joga... Mesmo Ronni, Romagnoli e Veloso só entraram no fim. Mal na equipa, mal nas substituições! Se não perdemos, foi por sorte (duas bolas nos postes) e por o Inter não ter forçado.
Mas o que me irrita mais nem é tudo isto, que é previsível. É sobretudo a euforia com um empate a zero, que é bem o símbolo da nulidade das celerações do ano de centenário sem ganhar nada. Pronto, digam lá que exagero, espero bem que tenham razão.
CL

segunda-feira, agosto 21, 2006

 

Adiamento com justa causa

O post a ler, hoje, está aqui. De certo modo trata de uma pré-história, que me interessou no Portugal Extemporâneo (volume 2), de algo que agora se está a reproduzir e, sobre isso, já escrevi aqui a propósito da criação de públicos nos blogs (com o pouco imaginativo título «o papel do intelecto nos blogs»).
Hoje pensava escrever um post sobre a influência entre blogs, mas pode ficar para amanhã. Oportunidades não faltam, e sobre «o mal dos blogs (1)», já tenho algumas perguntas.
CL

domingo, agosto 20, 2006

 

Fim da semana

Luís Mourão, com a prosa arrumada e a cabeça clara do costume, volta a escrever um post que comprova que as melhores polémicas são as que se (des)cruzam. Ainda bem.
Entretanto, a referência no Abrupto ao site do Fernandes do DN veio reforçar aquilo que aqui escrevi anteontem, pelo menos assim o li eu e mais dois envolvidos na questão antiga da crítica (ainda sobre isso, Daniel, espero que não me tenha levado a mal, tentei não ser paternalista, muito menos professoral). No mesmo post, contudo, é só impressão minha ou as referências a «uma era de engraçadinhos» fazem lembrar o que Prado Coelho escrevia há quase duas décadas por ocasião do surgimento de O Independente?
CL
PS - Post revisto e corrigido graças a um simpático leitor atento. Bem me dizia o João Pedro George para escrever primeiro os posts e depois copiá-los para o blogger...

sábado, agosto 19, 2006

 

Polémicas cruzadas

No Manchas, Luis Mourão pede-me explicações sobre o meu post de há dois dias:
«Meu caro Carlos Leone: se ao lado da Arendt de Eichmann em Jerusalém colocar o Grass de O tambor, acha que poderá manter a distinção entre um Grass “vazio e retórico” e uma Arendt “analítica e séria”?» O ponto do meu post não era esse, mas não me custa responder e depois voltar ao meu tema (entretanto bem explorado também no Da Literatura, Abrupto, Fuga para a Vitória e O Amigo do Povo, pelo menos).
E a minha resposta é que não ponho as obras de Grass (romancista) e Arendt (filósofa) lado a lado, não me parece que sejam comparáveis. O que fiz foi comparar as declarações públicas de Grass, suposta autoridade moral, com uma reportagem para o «grande público» (ao menos maior do que o público específico de Filosofia). Isto é, comparei duas intervenções públicas.
Outra coisa: parece mais ou menos consensual que Grass continua a ser o grande escritor que até agora era. Mas o silêncio que caiu sobre as suas tiradas parece-me estranho. Se querem recusar a Grass a autoridade de as pronunciar, percebo (é a mesma lógica da atitude de Grass durante décadas...). Mas o que não vejo é ninguém manter as mesmas tiradas grandiloquentes e tremendas e essas deviam poder manter-se. Acho que quem gostava do civismo dele devia agora assumir como suas, sem recorrer ao facto de terem a marca de origem de Grass (agora desqualificado), essas lições de moral tão edificantes.
E com isto retorno ao meu ponto. O meu post era sobre o ódio à mudança que este caso (como tantos outros) revela. Daí a relação com o centenário de Marcelo, transformado pelas TV's em historieta de Verão. Permito-me estranhar tanta indignação com os alemães e tanto desinteresse face às nossas realidades. Mas como já disse acima (e já ontem deixei comentado no A Terceira Noite) ainda bem que houve nos blogs quem não se satisfizesse com a «evocação» de Caetano.
Note que não me importo de escrever sobre Grass, embora não me motive muito. Em rigor, as suas observações no Manchas dizem muito do que eu diria sobre o tema do ponto de vista literário (aquele que deveria ser determinante, afinal). Espero que esta explicação tenha deixado mais claro o que me levou a escrever esse meu post. Há uns dias tive de discutir o que era fascismo quando tinha escrito sobre liberalismo e a nossa falta dele, agora sobre Grass quando escrevia sobre Caetano e o ódio à mudança... Enfim, deve ser dificuldade minha em explicar-me, obrigado por me ter chamado a atenção.
CL

sexta-feira, agosto 18, 2006

 

Notas finais a uma conversa com Pedro Mexia

É hoje publicada no DN (suplemento «6ª») uma conversa minha com Pedro Mexia. O tema é um livro meu do ano passado, Portugal Extemporâneo (2 vols., INCM). Esta nota serve para «arrumar» duas questões mencionadas na entrevista que, nas semanas que mediaram entre gravá-la e publicá-la, tiveram desenvolvimentos. Uma é a função do discurso crítico e a sua relação com o jornalismo actual; a outra é a função dos blogs até hoje e no futuro previsível.
1. Como escrevi aqui, ainda antes da entrevista, não penso que a crítica esteja morta ou a morrer, apenas em mudança de funções e, consequentemente, de características. Os motivos para isto, apresentei-os em dois posts sucessivos (19 e 20 de Junho) que mereceram comentários vários.
No Da Literatura, Eduardo Pitta ignorou-os e preferiu falar como se entre crítica e publicidade promovida por editoras não houvesse diferença; é com ele, quem quiser pode ir por aí, é legítimo, apesar de eu ver nisso uma incompreensão do que está em causa (o meu argumento é todo outro: um crítico não espera pelos «envios», tal como um jornalista não espera por «notícias» de nenhuma «agência».).
Um indivíduo que perpetra no blog Frenchkissin’ (no kidding, no link) e pertencente à direcção do DN (onde parece ser um digno sucessor de Luís Delgado), optou pelo anti-intelectualismo, parecendo apostado em provar que a escrita pode ser inteiramente braçal, dispensando o intelectual – e, lendo-o, como duvidar? Na ânsia de provar que eu e Pitta o julgamos estúpido, descobriu uma série de pérolas: a INCM tira dinheiro aos contribuintes (os intelectuais não pagam impostos, depreende-se), os seus livros não interessam a ninguém, o meu post queria que os jornais mudassem por completo para me agradar (ler também não requer intelecto, como se comprova), o pacote completo em 4 linhas (com jornalistas destes as «agências» são bem necessárias!). Uma resposta intelectual, adaptada de Schopenhauer, seria dizer que quando um post bate em certas cabeças e se produz um som oco, essas cabeças pensam sempre que o som vem do post... Mas não me parece que seja «da vaidade», na verdade o caso é interessante por dois motivos: por mostrar como o que escrevi sobre a crítica – e repito na entrevista – se aplica ao jornalismo em geral, e por relacioná-lo com a função dos blogs.
Na verdade, os meus posts, tal como a entrevista, não atacam o jornalismo nem os jornalistas. Longe do tom acusatório que muitos associam (superficialmente) ao Esplanar, o focado, desde o título até ao fim, foi a mudança de funções da crítica (de mediação social para um estatuto marginal, cedendo o seu lugar à publicidade). Ora a incapacidade do sr. Fernandes do DN o ler é reveladora de como isto se aplica ao jornalismo. O Sr. Fernandes insulta quem não conhece, julga que a INCM em vez de dar lucro para os cofres do Estado retira dinheiro aos contribuintes, dá por adquirido que os livros que ele não lê não são lidos por ninguém e supõe que eu, George, Pitta, etc., temos dificuldades em aceder aos jornais (guardei este post para hoje por isso mesmo, lógico). O que permite aplicar a definição kantiana de estupidez ao sr. Fernandes do DN: incapaz de ver as coisas de outro ponto de vista que não o seu. Cão de guarda pavloviano, supôs que as minhas referências ao jornalismo eram novos ataques do Esplanar ao critério editorial de Nuno Galopim e à alta influência do Provedor no DN (cargo vazio, como é normal em Portugal), e vai daí ripostou a um ataque que não tinha sofrido. Claro que nem eu nem Pitta perdemos tempo com respostas e polémicas à portuguesa. Ele apenas exemplifica um ponto que eu usava para explicar a evacuação da crítica dos media, a saber, a conversão dos media em mass media, nos quais não é a palavra crítica a dominar e mediar, mas a imagem a ocupar todo o espaço. Os artigos são vistos, não lidos, tal como na TV as pessoas aparecem mas não são ouvidas. Neste contexto, a crítica não faz falta e jornalistas que saibam ler um simples post e escrever com equilíbrio seriam enigmas para os compradores de jornais, que já não são leitores mas tele-espectadores momentaneamente sem ecrans − se não lerem o jornal na net. O que conta é o efeito, a tirada bombástica. E em Inglês, língua sofisticada, para ter mais estilo! (Quando Pacheco Pereira, durante o Mundial, se perguntava porque é que o Público dava as primeiras 17 páginas do jornal à bola, a resposta era evidente: por ser um sucedâneo da transmissão televisiva. A propósito, o ano passado foi Pacheco Pereira, não por acaso malvado intelectual, quem divulgou na blogosfera a ideia de a INCM ser feita à custa do nosso – se me permitem – dinheiro.)
Os jornais são hoje mais bem escritos do que no passado da «tarimba», desde logo um resultado indirecto da liberdade. Só que a cultura dessa liberdade, a da crítica moderna, está já datada.
2. O que liga isto aos blogs é a crença do Pedro Mexia, em grande parte auto-justificativa, em serem eles «o» futuro. O Pedro pensa muito em termos de choque de gerações (que em Portugal é sempre raro e equívoco) e tende a ignorar a realidade de a maioria dos blogs ser puro esgoto. Se duvidam, o meu argumento é que foi em resposta às enormidades de Fernandes que, no Corta-Fitas, João Villalobos, e, no Fuga para a Vitória, Daniel Melo, contribuíram para a discussão. Não em resposta ao meu texto, ou aos artigos no Público por A. M. Seabra que lhe serviram de pretexto, nem sequer ao post de Pitta. Foram ao mais nulo contributo e nem sequer para ver nele virtudes escondidas. Foram vituperá-lo, inocentemente, convencidos que ao escolherem o mínimo denominador comum faziam algum bem. No caso de Daniel Melo, que adoptou convictamente o registo indignado da morte da crítica e chegou a falar em censura, verificou-se mesmo o equívoco de pensar que o meu texto era nesse sentido acusatório, uma leitura tão desajustada como a de Pitta, e não é a simpatia do que escreveu a respeito do meu post que muda nada. Em ambos os casos, leram o que queriam ler.
O problema da blogosfera, escrevi-o no volume 2 de Portugal Extemporâneo e repito-o, é o mesmo de todas as inovações técnicas e das modas que o precederam (e das que lhes vão suceder): reproduzir por novos meios os piores vícios da cultura acrítica, anti-crítica (anti-intelectual) de uma sociedade ainda dominada pelos medos mais ridículos que se pode ter. Nenhuma inovação tecnológica pode vencer isto, não há choque ou subversão que destrua isto, só o trabalho longo, persistente e lúcido.
Muito longe, portanto, das supostas virtudes únicas dos blogs como criadores do futuro. Não, tal como disse no livro, no post e na entrevista, os blogs não são revolução nenhuma, nem com Nietzsche nem com Agostinho da Silva à mistura. São mais do mesmo. Do mesmo de sempre, agora com textos cada vez mais curtos (o digital permitia dispor de mais espaço, ainda se lembram do que se dizia no início?), para gente cuja experiência de escrita e de leitura se faz por mensagens de telemóvel que se escrevem sozinhas.
Não é uma condenação, é uma constatação. E se há excepções (por o Esplanar ser uma eu passei a escrever nele), elas não mudam a regra. Esta só mudará se, e quando, a próxima moda chegar (será o V-log, que já existe?) e os vivaços passarem a ela, com o discurso crítico a ganhar uma preponderância na «blogosfera» que até hoje nunca esteve perto de ter. O que eu duvido, mas não me importo de escrever como se acreditasse.
CL
PS- A entrevista está editada de forma bastante fiel, o que eu bem sei ser complicado. Um ou outro pormenor, como na questão dos estrangeirados, não me impedem de rever nela a conversa. A crítica ao volume I surpreendeu-me pela positiva, desde logo por ser a esse volume. E as fotos de Leonardo Negrão são muito melhores do que eu supunha ser possível.

quinta-feira, agosto 17, 2006

 

Grass, no aniversário de Caetano

Tenho seguido, sem especial zelo nem verdadeiro interesse, o que se tem escrito sobre a confissão autobiográfica de Grass. Que pertenceu voluntariamente às Waffen SS, durante quatro meses, sem ter disparado um único tiro. Pelos vistos já era pacifista nessa altura, eu acho que lhe fica bem, apesar de me parecer improvável. Mas, de facto, no fim da Guerra já os pretorianos do regime tinham caído em desgraça pela sua crescente ineficácia em combate (mesmo se foram os voluntários franceses da Divisão Charlemagne que defenderam o bunker de Hitler em Berlim), o suposto exclusivismo rácico ariano tinha ido às malvas com pretextos cada vez mais sensacionais por força de alistamentos (pouco voluntários, aliás) cada vez maiores, e, aspecto que talvez alguns não saibam, as Waffen SS eram forças de combate, não as SS que estavam nos campos de concentração.
O episódio, em si mesmo, não é nada de novo. Uma descarada manobra de promoção editorial (como se prova pelo «adiantamento» da data de saída da autobiografia) feita à custa da mesma moralina que fez a fama literária de Grass (prémio Nobel incluído), como os seus leitores salientam (por exemplo em A Terceira Noite). Chamar consciência moral a quem nunca fez mais do que generalizações vazias e grotescas sobre história sempre foi rídiculo, como o é agora. Hoje, como sempre, os méritos do escritor valem se, e apenas se, não incomodarem as opções (inertes, na sua maioria) do público. Assim, ontem, Grass era um grande escritor porque dizia o género de inanidades sobre consciência histórica (anti-ocidental, desde logo) que o pacifismo de esquerda gostava de reproduzir sem se importar de, com isso, depreciar sem critério um povo e uma nação capitais na história e consciência europeias. Hoje, Grass, o homem, não mais será ouvido porque disse a verdade a respeito da sua vida - crime mortal, como ele bem sabia este tempo todo.
A literatura, essa, sempre foi pretexto, está visto (para algumas achas para esta fogueira esquecida, ver aqui e aqui). Sem discordar muito do que Eduardo Pitta escreve, eu gostaria de aproveitar o centenário de hoje para lembrar duas coisas:
1) Foram os mesmos alemães que fizeram a guerra e o extermínio de judeus que fizeram a União Europeia que hoje nos é tão indispensável. Exactamente os mesmos, apenas um pouco mais velhos e muito mais experientes do que eram quando andavam a destruir a Europa em nome do III Reich. E se críticas à justiça e à memória alemãs havia a fazer (e havia, há sempre), mais valia terem lido a Arendt de Eichmann in Jerusalem (há uma tradução portuguesa recente, julgo que na Tenacitas). A diferença é que onde Grass é vazio e retórico, Arendt é analítica e séria. E isso permite ver as continuidades mas também as diferenças. São as segundas que fazem dos humanos uma espécie singular.
2) Quem tanto se excita com Grass podia aproveitar o centenário de Marcello Caetano para notar como são também os portugueses que não se revoltaram durante décadas, que foram para África matar os locais, que estiveram na PIDE, etc, etc., durante muito mais tempo do que durou o nazismo, que, hoje, são democratas, europeus, moderados e hospitaleiros. Afinal, hoje, até o mesmo Pulido Valente (que não muda a não ser em mudar de cada vez que precisa escrever nova bombarda) que há duas semanas falava de Marcello como um moderado liberal em tudo diverso de Salazar, que nos conta, como se tivesse estado lá, a chacina que o moderado Caetano tentou perpetrar no Carmo a 25 de Abril de 1974 (está no «ensaio» no Público). Os portugueses mudaram? Se não mudaram, comecemos pela condenação colectiva definitiva que nos falta e deixemos a dos alemães. Se mudaram, admitamos que os alemães fizeram o mesmo. Que todos os povos o fazem, desde que não optem pelo isolamento.
Mas no país onde a evolução de Freitas é apreciada pela Esquerda, a de Grass não. Parece que aos 17 anos se deve ter uma consciência política especialmente afinada. No fundo, a hipocrisia é a mesma, e resume-se não só ao ódio à liberdade (como escreve Pedro Mexia) mas ainda ao ódio à mudança. A Direita, unidade mítica, disfarça-a com o amor à tradição (quase sempre inventada). A Esquerda, sempre «única» por excomugar as vozes dissonantes, não tem esse recurso e necessita da ética da convicção, sempre pronta a mudar de sinal. Eu, weberiano, constato a falta de ética da responsabilidade de uns e outros. Mas continua, é bom para o negócio...
CL

quarta-feira, agosto 16, 2006

 

Uma polémica gira (outra nem tanto)

Plutão deve ou não ser planeta? para quando uma resposta no Abrupto a esta candente (gelada, na realidade) questão que actualmente divide astrónomos?
CL
PS - No Auto-Retrato está bem visto: o «h» ou «H» em «(?)olocausto» deve ser assunto para o Provedor do Público...

terça-feira, agosto 15, 2006

 

Quase polémicas

Algumas farpas perfazem quase polémicas,neste Verão atípico que chega a meio de Agosto sem ter visto «a» sua deste ano. Epifenómenos recentes:
O holocausto, com caixa baixa ou alta? Muito bem o que JPP escreve no Abrupto.
Os blockbusters do Verão e o estado acrítico da crítica de cinema, caso extremo da mudança de funções mediadoras da crítica para a publicidade: não temos vida para isto?
E a minha aposta, não confio que vá pegar mas enfim: então o nosso ministro da Defesa passa revista às tropas (no Kosovo, neste caso) de óculos escuros postos? Vi na RTP1, hoje, pensei que ele ia à praia...
CL

domingo, agosto 13, 2006

 

Inteiramente de acordo

com este post
Mais cidade que sexo: E o crocodilo?
a falta que um crocodilo faz, de facto.
CL
PS - Post de dia 14, apesar do que diz o Blogger

 

Rever, sem amalgamar

Um debate sobre o que foi o liberalismo, aqui, no 1bsk, no Fuga, no Abrupto e noutros sítios (e não foram poucos) transformou-se no Amigo do Povo num debate sobre o que foi o fascismo (tem a sua piada, mas não sei se Passos a apreciaria). Entretanto, já no Fuga para a vitória (caixa de debate ao post de Daniel Melo de 8 deste mês), o amigo do povo Fernando Martins sugeriu que se convertesse a discussão em livro. Daniel Melo discorda, por entender que demoraria bastante tempo. Eu concordo, mas com mais algumas observações.
Primeira, a ideia contraria uma distinção lembrada por Bruno Cardoso Reis no post do Amigo do Povo que deu origem à «fase fascista» da discussão, entre ensaios académicos e posts. Eu adopto a distinção, logo o livro ou tem vida própria ou não deve existir. E em qualquer caso não dispensa outras discussões.
Depois, basta compilar os posts e os comentários para ter um volume electrónico autónomo. Sobretudo se a discussão continuar, agora que as perguntas que me foram feitas ficaram respondidas (aguardo resposta às minhas).
Mas, sobretudo, por não me pretender afastar do essencial. E o que me interessa não é discussões sobre «o» fascismo (como se este fosse um ser em si), mas compreender o que o liberalismo é e não é em Portugal. Repito, espero que agora com maior clareza: o liberalismo quanto a mim não é uma doutrina política do século XIX. Pelo contrário, é a tradição cultural (política, económica, moral, etc.) que na Europa veio a criar a Esquerda e que depois, com o seu triunfo político, veio a criar o próprio século XIX tal como o conhecemos no Ocidente. Daí que rever a sua crise no século XX não possa ser um mero exercício de história política ou económica (quanto à ideia de a história passar sem conceitos, como F. Martins afirma, dispensa comentários ao autodestruir-se). A sua crise entre as Guerras merece revisão em termos europeus por permitir diferenciar modernidades: a da Europa do Norte, a da Europa do Sul e a Peninsular. Esta última em particular, pois a península resistiu tenazmente à modernidade (ao capitalismo, à Reforma, à ciência moderna, ao liberalismo, etc.) e, por conseguinte, entre nós a crise do liberalismo fez-se sem o seu prévio triunfo. Escrevi aqui a 24 de Julho (esta data...) que, em Portugal, a crise do liberalismo português se deveu a um confronto entre fascismo e comunismo num contexto ainda pré-moderno, ao contrário do contexto da maior parte da Europa ocidental em que esse confronto também se produzia. Saliento que para todos estes termos as acepções políticas e económicas só possuem sentido se reportadas a uma acepção cultural mais ampla, mesmo que mais complexa. E só isso tem sentido histórico, pois sem esse quadro cultural não há nenhum outro mais especializado (económico, político, etc.) que se possa auto-sustentar; só com essa percepção se pode proceder a investigação específica (como já escrevi, é isso que distingue, ainda que apenas um pouco, Pulido Valente dos seus seguidores). Volto a recomendar um livro a que hei-de voltar, O Pensamento Político Português no Século XIX (de António Pedro Mesquita, na INCM, 2006). É anterior ao período que mais me interessa, mas especifica com muita informação que eu não poderia fornecer o quadro cultural português a que me refiro, remetendo para o século XIX muito do confronto entre reacção e comunismo que me interessa ao pensar no século XX.
CL

sábado, agosto 12, 2006

 

Remédio para feridas narcísicas

Da maneira como os ânimos andam, este blog que descobri por acaso parece-me ser obrigatório nos favoritos de toda a gente.
CL

sexta-feira, agosto 11, 2006

 

A terra a quem a trabalha (ideia para uma campanha do PCP)


A votação iniciada no dia 4 prossegue. Não 2, Sim 0. Entretanto, no Público de dia 10 já surgiu uma reacção feminista. Até ela, que tenha notado, de interesse só tinha visto uma reportagem na última «Pública», na qual se dizia que a hora de pico nos blogs feministas é a da emissão do programa Maxmen na TVI (nunca vi a revista nem o programa, não sei interpretar). Espero que a imagem, tirada do Às 2 por 3, incentive a participação nesta magna questão cívica. Não que eu esteja retido num aeroporto (a esta hora a Diana Andringa já deve ter um documentário a explicar que nada aconteceu ontem), mas estou um pouco atarefado.
CL Posted by Picasa

quinta-feira, agosto 10, 2006

 

Desde ontem

Comecei a acreditar nas chances do Sporting.
CL

quarta-feira, agosto 09, 2006

 

À vossa

Com os meus agradecimentos à Gabriela e à Shyznogud, informo que a votação aberta no inquérito de Verão do Esplanar (ver em baixo «As urnas estão abertas (as cervejas não)») já começou. Não 1, Sim 0. Voltaremos ao tema do feminismo um dia destes, por agora ficam os links.
CL

 

A razão

Sem ser decerto sua intenção, Fernando Venâncio explicou-me no Aspirina B a razão de eu não ter herança para deixar ao meu petiz.
«Caro Carlos Leone,
Se toda a malta tivesse a sua moderação (e discernimento), isto andava um bocado mais calmo. Obrigado.»
De nada, eu é que agradeço.
CL

terça-feira, agosto 08, 2006

 

Leituras

As coisas da Sábado que Pacheco Pereira publica agora no Abrupto surpreendem: esquecemos a guerra e as suas realidades por não termos tido uma Guerra Civil como Espanha e não termos participado na Guerra Mundial de 1939-45? Pelos vistos as guerras coloniais nunca existiram, no lobby para sermos o braço armado da ONU no Médio Oriente...
Mais triste ainda: a notícia de abertura do suplemento Local do Público de hoje. Devia ser manchete do jornal, é indicador do subdesenvolvimento do país: o abandono de animais de estimação continua a crescer. Mete nojo. Os «donos» é que deviam ser «postos a dormir». Mas se nem o homícidio incomoda a justiça, como se viu no caso Gisberta, não espanta a complacência.
CL

 

Dúvida quase metódica

Apesar de não ter mudado de opinião, um diálogo com um leitor (Roberto Gorjão, autor do blog castelosnoar) e várias discussões em curso estão a contribuir para duvidar um pouco da minha descrença nas caixas de diálogo. De vez em quando há mesmo diálogo... Como testemunho, uma parcela de uma conversa a decorrer no Aspirina B, em torno de um post de Fernando Venâncio («Bombardear, claro!», de 5 de Agosto).

«Caro Fernando,
De acordo, há aproveitamento. Uma ofensiva desta envergadura é claramente preparada e depois lançada quando há um pretexto. Mas do que se trata aqui é de duas guerras por procuração: uma entre Israel e a Síria (as Quintas «doadas» ao Líbano, os Montes Golã), outra entre EUA e Irão (nuclear, terrorismo). Ao contrário (saliento isto) do que sucede na Palestina, aqui não me custa alinhar por um lado, apesar das mortes e deslocamentos (que também as há em Israel, e por serem menos não são menores): estou por Israel e EUA, embora não seja pelas armas que vão vencer. Elas não passam de preparação do terreno, passe a crueldade de dizer isto assim. A Guerra Fria ainda está bem viva em certas partes do mundo.»

É um exemplo entre outros, do gaspacho ao fascismo, passando pela arte de linkar. Curiosamente é na altura em que (supostamente) há menos leitores/autores que duvido de uma das coisas que tenho por mais certas no que toca a blogs. Mas ainda não mudei de ideias relatvamente ao que escrevi há uns tempos em «o papel do intelecto nos blogs» (I e II).
CL

segunda-feira, agosto 07, 2006

 

Publicidade gratuita

Pode parecer suspeito no meio de tantas editoras novas falar de uma que já publicou um livro do João Pedro, mas como ontem, sem sequer procurar intencionalmente, voltei a ficar impressionado...
A Tinta da China publica livros diferentes do que é norma, com apresentação mesmo muito boa. E a preços razoáveis.
CL

domingo, agosto 06, 2006

 

Espero bem enganar-me

O empate ontem foi justo, e bom para arrefecer o entusiasmo prematuro.
O pior é que as coisas vão sendo como esperado: jogar com Deivid é jogar com dez, Polga continua um susto, Paredes não tem ritmo para uma época no futebol europeu numa equipa que queira ganhar, Liedson parece em queda e Bueno não engana, é outro flop. O banco, ou é serviços minimos ou é muito novo. Se Ronni, Romagnoli e Carlos Martins continuarem assim, por um tempo disfarçam isto. Mas sem um trinco que filtre bem, e o Sporting não o tem (Custódio é demasiado leve para a posição), aquela defesa vai envergonhar muito o clube na Champions.
CL

sábado, agosto 05, 2006

 

O fascismo nunca existiu? (Situação europeia e consciência nacional)

Pede-me Bruno Cardoso Reis, em O Amigo do Povo, explicações:
«Para já deixo-lhe a ele e aos demais anti-revisionistas um par de perguntas: Como é que definem fascismo? O Salazarismo é fascismo porquê?»
Deve-se isto a um post meu, «Rever a crise do liberalismo», em que em vez do jogo do empurrar a culpa entre Esquerda e Direita sobre culpas e mentiras relativamente aos crimes políticos do século XX, sugeri que a crise do liberalismo é o tema que mais importa, mas que nessas polémicas mais se esquece. Ou seja, não adiro aos termos da discussão «quem matou mais, rojos ou falangistas?». Isto exclui-me de quase todos os «demais» a que Bruno Cardoso Reis se refere, mas em todo o caso prefiro por agora a companhia deles à dos historiadores que Bruno Cardoso Reis muito respeita.
Por isso mesmo, temo desapontá-lo com a seguinte resposta (no Vox Populi de O Amigo do Povo já falei dos aspectos menores da discussão):
1) O fascismo como ideologia foi tão vazio que nem tem uma definição forte, como a que há para comunismo (aliás requerendo várias distinções) e nazismo. De origem italiano e revivalista da Roma imperial, difundiu-se em versões igualmente vagas entre regimes de países com histórias que se prestavam a ser mitificadas de modo similar A única resposta que vejo ser viável é, não uma definição de género «tipo ideal», sempre de tipo contextual. Pelo que,
2) O salazarismo foi um regime fascista por se filiar explicitamente no movimento italiano que cunhou o termo (apesar de a sua realidade militar nada ter que ver com a do Império Romano…), por só se ter afastado dele quando a derrota do Eixo era inevitável, e por nunca ter mudado significativamente a sua política antimoderna (o que não significa que não tenha havido modernistas, coisa diversa, a servir de adorno ao regime), isto é, antiliberal, antidemocrática, e uma série de outros «anti» que caracterizam bem a natureza reactiva dos movimentos políticos (português, espanhol, italiano, e não só) que merecem a designação «fascista». Ou, para quem tiver pruridos, «filofascista», «protofascista», etc.
Pode preferir um método de definições gerais, mas até hoje nunca vi nenhuma que resolvesse «indiscutivelmente» o seu problema em encontrar uma definição satisfatória. Alias, no seu post di-lo também.

Neste ponto, uma nota de destaque: como acabei de repetir em 2), o meu post salientava que o Fascismo, tal como o Comunismo, se fez na Península contra a modernidade, e não sobre a modernidade como sucedeu no resto da Europa Ocidental. É um ponto decisivo, se me permite. Remete para a história de Portugal na modernidade e é dentro desta que enquadro toda a discussão (indiquei bibliografia bem como pistas de pesquisa por explorar). Falo portanto de um liberalismo anterior à revolução francesa, que fez o seu caminho como tradição daquilo que veio a chamar-se Esquerda contra o absolutismo, e que, em Portugal, nunca vingou. Ora, apesar de ser preciso diferenciar em vez de amalgamar (como escrevi no meu post), há uma nítida e proclamada coincidência entre a reacção na Europa e o conservadorismo português, que sempre se inspirou nela apesar de cá nunca ter havido revolução (tal como importámos a Contra-Reforma sem termos tido Reforma). E não é a mitificação vagamente biográfica de individualidades (João Franco ou Paiva Couceiro) que serve como modelo para discussão do processo histórico de isolamento de Portugal desde o século XVII (também ele a rever, admito). A diferença da nossa ditadura face às extra-peninsulares é real, por força da história moderna do país, mas não a torna menos ditadura (veja: se não foi fascismo, teve muito em comum – polícia política, censura, perseguições políticas e profissionais, campos de concentração tortura… não ser fascista em algum sentido teórico «exacto» ajuda em alguma coisa? «Democracia orgânica» será mais ajustado?). A escassa modernização da sociedade portuguesa até ao século XX gerou um liberalismo incipiente, ao contrário do que sucedeu na Alemanha ou em Itália, daí a necessidade de rever a sua crise (e respectivo desenlace ditatorial) em moldes próprios; mas sem falar dela como se se tratasse de uma evidência que os especialistas conhecem e os outros, coitados, não. E se me exige provas do que digo, toda a história do discurso crítico em Portugal no século XX está aí para quem a quiser ver. Um caso bem interessante, que já tratei num outro post, é o Adolfo Casais Monteiro em O país do absurdo. Aí, a lista dos «anti» de que se fez o regime é bem longa e bem analisada, com o «extra» do testemunho pessoal do autor. Não terminarei sem citar esse testemunho.

Antes disso, reconheço que tenho aprendido com os seus posts sobre a relação crítica do Vaticano com o regime nazi, mas deles não vejo como infere uma oposição a Hitler. Eu vejo um cuidado distanciamento expresso de forma diplomática. Já foi muito, de acordo. Mas resistir é outra coisa, que coube a pequenos grupos de cristãos. A mim, que sou ateu, isto não me espanta nem incomoda. E, como português, permito-me ver as diferenças de comportamento, face ao que explica ter sido a política do Vaticano perante o nazismo, da Igreja portuguesa face ao salazarismo, que literalmente ajudou a fabricar e a manter, invocando Maurras e destruindo as vidas de gente como Sílvio Lima, até se ter distanciado muito gradualmente desde que o estertor do regime se tornou evidente com a desertificação das paróquias promovida pela emigração. Tarde falou, e mesmo assim cedo demais para a ICAR, o Bispo do Porto quando descobriu que não se podia ser católico e salazarista. Não, não foram erros nem falta de informação, não foi a ausência em parte incerta, nem qualquer silêncio, de Deus: foi cumplicidade da hierarquia com o poder ditatorial e com os métodos (maquiavélicos no pior sentido do termo) do «em politica o que parece é». Já houve quem inventasse um rótulo: «catolaicismo». Conhece, decerto.

O que me espanta e incomoda é a soberba de quem trata por bestas e ignorantes, quando não como censores do «politicamente correcto» (?), todos os que falam sem exactidão científica de realidades políticas que (como refere de passagem, e eu concordo) muito resistem a qualquer definição indiscutível. Se quer esquecer as análises de Hermínio Martins, Joel Serrão ou Magalhães Godinho e apoiar-se em Pulido Valente e seus idólatras, faça favor. Eu reservo-me o direito de dizer que essa revisão pretende recriar a história para melhor convir às suas carreiras e às suas simpatias e antipatias paroquiais, para revogar sem argumentos mas com muita prosápia uma tradição historiográfica com 50 anos, a dos melhores historiadores de Portugal (sobre as science wars à portuguesa, outra instância da nossa retardada modernidade, também já escrevi, e à custa das condições para o meu trabalho, escuso-me a voltar ao ponto agora).
Quero terminar com o ponto do testemunho de quem viveu os acontecimentos. Fora dos confrontos entre historiadores, deixe-me terminar citando Casais, do livro que mencionei:

Mas, por outro lado, não podemos sequer acreditar – pelo menos nós, aqueles que ainda conheceram a vida portuguesa anterior à implantação da ditadura – naquele disco incansavelmente repetido segundo o qual a república era a desordem e a anarquia. Essa desordem e essa anarquia nunca existiram senão na imaginação apocalíptica dos autores de legendas para cartazes de propaganda, uma propaganda que não hesita em pretender convencer-nos que, antes do golpe do 28 de Maio… não havia estradas em Portugal, e não se podia sair à rua sem risco de ser morto pela explosão de uma bomba! Ridícula propaganda para analfabetos ou mesmo débeis mentais, do mesmo nível que as conhecidas figuras do «antes» e «depois» dos anúncios de produtos contra a queda do cabelo…
(p. 29)

Bem sei que Casais, coitado, nasceu em 1908 e não teve o benefício de ler os autores de hoje, que nem lutaram contra o marcelismo sequer (e para quê? O homem era um génio, sabia que a democracia cá não podia funcionar…). Para ele, o essencial da mudança ocorrida a 28 de Maio não era a chegada da «ordem» que vinha substituir a «desordem», mas sim a opressão que destruíra a liberdade. Quem a quiser elogiar por portas travessas que o faça. Não aprenderam nada com a história, simplesmente.
Conto que continue a não ser esse o seu caso, e continuarei a lê-lo a si e aos restantes amigos do povo.
CL
PS - Caso não seja claro, o título deste post remete para duas obras de Eduardo Lourenço, que não por acaso raramente são citadas. Censura do «politicamente correcto»? Só se incluir o de Direita e o de Esquerda.
PPS – Nem de propósito: hoje, VPV volta a baixar o nível, muito abaixo dos produtos contra a queda do cabelo. A República matou muito mais do que Salazar… Bem sei que a credibilidade dele como historiador já nem entre jornalistas pega, mas, se gosta de coisas destas, pode sempre reclamar-lhe números e documentos.

sexta-feira, agosto 04, 2006

 

As urnas estão abertas (as cervejas não)

No Womenage A Trois, um blogger que assina «Cenas Obscenas» observou algo que também já me ocorreu: então as nossas feministas ficam em silêncio perante os anúncios da Super Bock? Ele fala do «Miss Playbock» que imita mamas, eu acrescentaria o anterior «Wonderbeer» e o mais recente «Miss Playbock» que imita traseiros.
Mais o Pedras Melão, claro, mas esse é levemente irónico, vê-se.
Quem achar que emancipação feminina é isto, vote sim para a caixa do Esplanar. Quem discordar, vote não. Manteremos actualizados diariamente os resultados deste nosso refrescante inquérito de Verão. Sem o patrocínio da Superbock, a cerveja mais intragável que alguma vez bebi.
CL
PS- Ainda na publicidade, ainda bem que os pilotos não encaixaram a absurda campanha de prevenção com «um avião cheio de crianças a morrer todos os anos».

quinta-feira, agosto 03, 2006

 

Efeitos secundários

Há uns tempos, o Francisco José Viegas acabou com a caixa de comentários do A origem das Espécies. A causa é a mesma de ela também não existir aqui, o lixo de alguns é tanto que anula os comentários de muitos. Mas continua a ser curioso ver que há sempre quem se queixe de aqui não haver caixa de comentários, e, quando se lhes diz que escrevam para o correio, calam-se.
A tecnologia pode não aumentar a improbabilidade da comunicação, mas contribui muito para a tornar mais notória.
CL

quarta-feira, agosto 02, 2006

 

Sem brincadeira

Soube do caso Gisberta à distância, não estava em Portugal na altura. E pelas edições na net é sempre mais complicado seguir as notícias. Mas não custava perceber, não é preciso ler os clássicos da sociologia ou da psicanálise para saber como o universo das crianças é violento.
Ontem, o desfecho foi exemplar. Onze a treze meses para homicidas. Se fosse nos EUA, a Esquerda tinha dito que era culpa do sistema capitalista selvagem e que a condenação era prova do conservadorismo dos juízes nomeados por Bush, mas como foi cá parece que não houve «explicações». Como foi cá, nem uma palavra da nossa estremosa Direita sobre a segurança, as maravilhas da reinserção pelo ensino católico e os valores tradicionais da sociedade portuguesa. Os silêncios são muito reveladores.
No jornalismo, assunto para páginas interiores e segunda metade do alinhamento dos noticiários. Uns artigos de opinião exaltados, perdidos no meio de outros iguais sobre o Líbano, as listas do Fisco e o Benfica. No Verão vamos fazer coisas de Verão, assim questionários sobre bares e praias de sonho no Brasil...
Os jovens erraram, vão de férias uns tempos como todo o país. Uma sentença de mau gosto, sem brincadeira.
CL

terça-feira, agosto 01, 2006

 

Lembrar e esquecer

Para lembrar, Pierre Vidal-Naquet, falecido no último fim de semana. De uma estirpe de historiadores que já não há, de Hobsbawm a Magalhães Godinho.
Para esquecer, a novela do falso Abrupto (que só deve aparecer à noite), bem resumida, ou nem isso, no blog do Gato Fedorento.
CL



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